terça-feira, 20 de novembro de 2012

A DEMOCRATIZAÇÃO DO ESTADO



Entre as mudanças no cenário internacional está a alteração da correlação de forcas no plano militar. Ao passar de um mundo bipolar, marcado pelo relativo equilíbrio entre dois campos, para um mundo unipolar sob hegemonia imperial norte americana, a superioridade militar deste campo, com suas projeções sobre todas as regiões e países do mundo, se impôs.

As guerrilhas centro-americanas – Guatemala e El Salvador – se deram conta dessas transformações e da inviabilidade de repetir a experiência nicaraguense, reciclando-se então para o campo politico institucional, mediante planos de paz.

Nesse novo quadro, interessa aos EUA e a seus aliados nacionais, militarizar os conflitos, para impor o plano onde tem maior superioridade. As invasões do Iraque e do Afeganistão, os bombardeios na Líbia, as tentativas de impor soluções militares na Síria e no Irã, fazem parte desse quadro.

No plano nacional, se um movimento ou partido militariza sua luta, será massacrado, pela desigualdade enorme na relação de forcas no plano militar. Na Colômbia também estão se impondo negociações de paz.

Isto significa que resta ao campo popular a democratização dos Estados, dentre as quais a de refundação de Estados – como no caso da Bolívia e do Equador – faz parte. Para isso é necessário ocupar espaços dentro do Estado, para transformá-lo, para democratizá-lo.
Para isso é essencial eleger bancadas de parlamentares vinculados aos movimentos populares. Facilitado pelo financiamento privado das campanhas – mas também pela falta de prática dos movimentos populares de elegerem suas bancadas -, o Congresso é o reflexo invertido do que é a sociedade. Basta dizer que há uma enorme bancada do agronegócio e apenas 2 ou 3 representantes dos trabalhadores rurais.

Com isso, embora as forças conservadoras não possam ganhar a presidência da República, se entrincheiram no Congresso, exercendo um papel de veto em temas fundamentais, como a democratização dos meios de comunicação, as legislações sobre meio ambiente, sobre a jornada de trabalho, entre outros temas.

A forma de consolidar a hegemonia da esquerda é obtendo maioria no Parlamento, o que só é possível com uma banca representativa dos movimentos populares no Congresso.
 
Emir Sader

sábado, 7 de julho de 2012

Infelizmente eu não vou ser feliz



Eu quero chorar, mas minhas lagrimas secaram, assim como meu coração.
Tristeza?
Não sinto, a indiferença é o único sentimento que me resta;
Sozinho?
Não, tenho a sociedade, o mundo esta do meu lado;
Gratidão?
Não preciso, fazer o bem não é um obrigação é um dom;
Não ser feliz é a sina de quem sonha com a felicidade alheia;
Mataram minha alma, quero salvar as outras;
De que?
Da individualidade
Pra que?
Para que ninguém sinta o que sinto;
Amor?
A Vida, as crianças, as pessoas. Não me amo mais;
Sonhos?
De um mundo melhor, mesmo que eu não faça parte dele;
Você matou meu EU, agora vou viver pelos outros - obrigado

Meu amor não cabe em você


Tentei fazer feliz quem não queria ser
Entreguei-me para quem não me queria
Lutei, combati, mas nunca tive a chance de vencer.
Completei-me com o vazio de tua alma, e permaneci incompleto.
Amo demais para simplesmente continuar, meu amor não cabe em você.
Quero o mundo. Você não sabe o que quer.
Voo nas estrelas, você não tira os pés do chão;
Sou para sempre, você tem limites;
Dei-te tudo, você nem ligou;
Meu amor não cabe em você, ele é maior que o mundo, e isso você nunca vai entender;
Dividi-lo-ei com outra pessoa, com outras pessoas, com o mundo;
Eu preciso saber se um dia ele pode acabar!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Bussola da Felicidade


Meu coração está triste. Está tão frio lá fora;
Minha alma vazia. Vazia, vazia, vazia.
O que antes era tão simples apresenta-se a meus olhos como uma equação impossível de resolução.
Todo o sentido se desfaz; um castelo de areia a ruir;
Como ressignificar algo sem significado.
Será que um dia já houve
Introspecção não passa de uma viagem ao deserto de sal;
O norte já não é mais o mesmo;
Minha bussola da felicidade; Onde andas.
O fundo das gavetas cheias de trecos, lembranças;
Mais um minuto já se passou!!!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Problemas sociais X problemas ambientais.

Escrito por - Eugênio Muller
Retirado do site - vivaitabira.com.br



Esta semana li um artigo interessante sobre uma pesquisa realizada nas grandes capitais brasileiras. O título do texto era “Problemas ambientais não fazem parte da realidade dos brasileiros” e, a partir daí, o autor apresentou o resultado da pesquisa realizada pela Market Analysis em 8 capitais brasileiras no ano de 2005. Eram duas tabelas, na primeira estavam as respostas para a pergunta sobre qual seriedade os entrevistados atribuíam para uma série de problemas ambientais citados. Na segunda, de forma espontânea, o público era convidado a responder “qual é o problema mais importante que o mundo enfrenta hoje?”

As respostas à primeira pergunta o público julgou como “muito sério” a maioria dos problemas ambientais citados, como poluição das águas e do ar, mudanças climáticas, etc. Na segunda pergunta, quando questionado sobre os principais problemas do mundo, o público apontou insegurança, corrupção, pobreza, miséria, desigualdade social, desemprego e, em sexto lugar, a crise ambiental. Diante desses resultados, o autor concluiu que os brasileiros não se preocupam com a questão ambiental, porque nas citações ela aparece em penúltimo lugar.

Entendo que há um equívoco e uma precipitação nesta interpretação. Em pleno século XXI já não podemos nos dar ao luxo de dissociar problemas sociais de problemas ambientais. Não é possível considerar os problemas ambientais como uma categoria de problemas sociais. Meio ambiente, numa acepção bem simplista, é onde vive a sociedade, ou seja todo problema social é um problema ambiental. O erro está em tentar separar as duas coisas.

O equívoco está presente na interpretação dos dados apurados na pesquisa. O brasileiro preocupa-se sim com a questão ambiental, mesmo que ainda não consiga identificar claramente que insegurança, corrupção, pobreza, miséria, desigualdade social e  desemprego são problemas ambientais. Vivemos em um mundo que sustenta-se em ciclos, tudo é interdependente e o todo sempre é afetado pelos movimentos de cada parte. Os problemas, sejam eles econômicos, sociais, raciais, territoriais, religiosos ou qualquer outro, são problemas ambientais porque afetam nosso meio ambiente.

Se formos analisar, por exemplo, a questão da fome, veremos que é impossível tratar da questão sem enxergar o macro cenário ambiental, incluindo economia, sociedade, poluição, contaminação, etc. Produzir alimentos é uma atividade que exige recursos tecnológicos, econômicos, humanos e naturais, em suma, envolve todo o meio ambiente. Infelizmente ainda não temos habilidade suficiente para pensar e agir com sustentabilidade no desenvolvimento econômico. Por isso gostamos tanto de separar problemas sociais de problemas ambientais. Como consideramos que a fome é um problema “apenas social”, vale tudo para produzir mais alimentos, inclusive poluir e degradar o meio ambiente. O mesmo acontece com o desemprego, a insegurança pública e outros ditos “problemas sociais”

Pensar nesta questões como problemas ambientais faz toda a diferença. Na questão da fome por exemplo: enormes extensões de terra são utilizadas para produzir bilhões de toneladas de alimento, com milhões de toneladas de veneno químico e adubos. Este procedimento altera o ecossistema local, provoca desmatamento, extinção da fauna e flora local, contaminação dos mananciais, proliferação de pragas cada dia mais resistentes aos agrotóxicos. E mesmo assim não resolve o problema da fome no mundo. Não estou propondo o fim da agricultura industrial. Sei da importância dessa atividade econômica para o mundo, os milhões de empregos gerados, os avanços tecnológicos alcançados e os benefícios.

Entendendo a fome como uma questão ambiental estratégica, podemos olhar para a realidade dentro de uma visão holística e comprometida com a sustentabilidade. A fome acentua as desigualdades sociais e, infelizmente, é utilizada como instrumento de dominação política. É possível utilizar os recursos naturais com mais inteligência e produzir mais alimentos com menores custos e menos impactos ao meio ambiente. Investir nas próprias comunidades que sofrem as dificuldades e buscar utilizar de forma sustentável os recursos tecnológicos, financeiros, humanos e naturais. Pode parecer uma utopia, mas não é.

 A idéia é repensar a questão da fome como um problema ambiental: estimular a produção de alimentos o mais próximo possível dos consumidores para evitar gastos desnecessários com transporte; utilizar menos agrotóxicos e sistemas de irrigação mais eficientes; resgatar cultivares mais adaptados a cada região e valorizar a culinária local; fomentar a agricultura orgânica e controle natural de pragas; utilizar a educação ambiental como fator de conscientização e ferramenta de desenvolvimento; criar incentivos para o trabalho agrícola com adoção de novas técnicas e financiamentos; investir na formação de mercados mundiais reguladores de alimentos para enfrentar as adversidades naturais; repensar a agricultura para gerar menos impactos negativos; produzir respeitando a cultura e o saber fazer local das comunidades e respeitar a vocação dos povos.

Pode parecer um retrocesso ou um contra senso, mas é a forma mais sustentável de resolver o problema da fome. E isso se aplica a todos os outros problemas ditos “sociais”. Sob o olhar ambiental, as soluções são planejadas de forma sustentável, interdependentes e comprometidas com o equilíbrio. Fome, desemprego, insegurança e crises são problemas interligados e que tem um mesmo alvo: nós mesmos. Não dá mais para buscarmos soluções isoladas para cada um, é necessário uma visão ambiental.

Viver na Terra não pode ser um ato egoísta, somos mais de 6 bilhões de pessoas. Todos com os mesmos direitos, mas infelizmente, sem as mesmas oportunidades. Nossa responsabilidade cresce na medida que os problemas aumentam. É a tal da cidadania ecológica, lembra?