quinta-feira, 17 de junho de 2010

Educação para liberdade.



Sempre que penso na educação sob a perspectiva do capitalismo a visualizo como uma imposição de cultura, falo em cultura por entender que ela que norteia as decisões dos homens, vista aqui como um conjunto de valores arraigados no individuo consciente e inconscientemente apreendidos, a cultura resulta da história de relações que se dão entre os próprios homens e entre estes e o meio ambiente;

Como essa imposição dá-se por meio de sua replicação um dos veículos mais eficazes é a educação formal, dentro dessa educação sistêmica busca-se uma uniformização da realidade, são negadas as diferenças e não se tem um olhar para as regionalidades, para as culturas e seus diversos matizes.

Essa educação uniformizada prima por atingir uma “igualdade de aparências”, nos costumes e por que não dizer nos traços físicos e culturais do ser humano, norteada pelo padrão dos grupos hegemônicos, pontuando acima de tudo que toda a cultura, sistemas de valores, ética e moralidade devem ser os instituidos por esse grupo.
Uma educação de cabresto, pronta a cegar a sociedade, e fazer-la cometer os mais sutis enganos ao ponto de induzi-la a crer que uma criança tornar-se marginal por ser dotada de má índole, ocultando as relações sociais de exclusão por trás de todo ato e ação. Essa educação segmentada nos forma, e deforma, em trabalhadores calados e submissos, perpetuando-se assim o consumismo desenfreado das classes mais abastadas e as desigualdades sociais.

São pacotes fechados de “educação”, onde não cabem acréscimos e que devem ser seguidos a risca, como se o ato de apreender se assemelhasse a uma receita de bolo, pega-se a historia escrita pelas classes dominantes, acrescenta-se uma pitada de matemática, um pouquinho de religião para manter o conformismo, geografia para demonstra a importância da dominação humana sobre a natureza, separa-se tudo em porções pequenas, dadas separadas, pois dentro de um mundo dito globalizado, ainda temos uma educação que faz pensar a realidade em pedaços, frações de um inteiro, quando na verdade deveríamos ver o inteiro e só depois pensar em tentar fracioná-lo, assim não escondendo nessas frações detalhes que os ligam intrinsecamente.

Esse individuo que essa educação forma, ou conforma, é treinado para replicar, não lhe é dado o direito de questionar, a chance de construir, contribuir, tudo que ele sabe, que aprendeu fora desse sistema, que seus pais lhe ensinaram, que as gerações de seu povo utilizavam, não passa de nada, não é conhecimento é sub-cultura deve ser abandonado, pois não é cientifico.

Mas o que é cientifico? Nada mais do que aquilo que a sociedade cientifica considera que o é. Não se questiona aqui a leis gerais da física, mas sim o por que dentro desse sistema tenho de me submeter a um empregador que me faz trabalhar 8 horas diárias e que obtém seu lucro na exploração de meu trabalho!, porque tenho de estudar a formação do continente europeu e não a do africano?, quem deu o direito para um homem ser o dono do mundo?, não uniu-se o homem em sociedade para a sobrevivência da espécie?, porque essa mesma sociedade quer acabar com ela mesma agora em beneficio de pequenos grupos de interesses!

Pensar a educação desse modo é negar a capacidade do ser humano de ser diferente, lhe dizer que os modos de aprender devem ser os mesmo para todos e que todos devem aprender as mesmas coisas, é matar a capacidade inventiva do homem, a educação não deve prender, ela é a liberdade ela é uma mistura do que eu sei com o que você sabe acrescida da impossibilidade probabilística de se saber o que vai dá. Uma “educação para a liberdade” onde não haveria uma cultura hegemônica para que as outras fossem apenas termos acessórios, que são incluídos apenas quando convém, como acontece atualmente, seria a salvação para a terra, pois a uniformização mata e a diversidade é vida!

Precisamos de uma educação diferente, que conheça a realidade dos indivíduos, que os auxilie, que lhe de uma oportunidade de crescer social e profissionalmente, que vá muito alem de dados quantitativos, ela deve ser a descoberta do dia a dia, deve ser um espaço onde possam haver trocas de experiências entre gestores, professores, alunos, entre seres humanos, uma educação com responsabilidade social, uma escola que seja chamada de lar, para onde o aluno queira ir, onde o professor se orgulhe de trabalhar, uma educação publica e de qualidade como rege a constituição federal brasileira.

O RECONHECIMENTO DOS POVOS DA FLORESTA

As primeiras comunidades que habitaram a Amazônia ocidental e mais especificamente a região onde hoje se situa o estado do Acre eram populações indígenas não se sabe exatamente de onde vieram, apenas que são povos nativos por estarem aqui antes da “re-ocupação”.


Com a descoberta da borracha e sua introdução no mercado global inciou-se um processo de colonização na região que alterou drasticamente a realidade, marcado por uma grande migração de nordestinos que buscavam na região uma nova oportunidade de vida, esse processo re-configurou a logica populacional e cultural da região.


A introdução dos seringais, e de novos habitantes na região Amazonica gerou mudanças drasticas na região, como a redução da população indígena, e o aumento da identidade cabloca ( mestiçagem entre brancos, negros e indígenas) Assim surgem novos personagens na historia amazonica resultantes dessa miscigenação de pessoas, culturas, ideias e credos; ribeirinhos, seringueiros, quebradores de coco, coletores de castanhas povos da floresta.


Ao final do ultimo ciclo da borracha na Amazonia, essas populações extrativistas foram esquecidas, pois não mais eram necessarias para a nação, e para a região outra extrategia vinha sendo pensada, com incentivo do Estado e sob o falso discurso nacionalista, os militares apregoando a unificação do país, financiaram a venda de antigos seringais na Amazônia para empresas agropecuárias e grandes pecuaristas, assentados no argumento que a região deveria ser ocupada.


Com essas mudanças acarretadas, pela vinda de novos atores sociais a reconfiguração das relações comerciais, além da abertura de novas vias de comunicação oriundas da construção das vias de acesso, há uma reconfiguração na organização social da região que possibilitou o reconhecimento dessa população como uma nova categoria dentro das relações sociais, nem índios e nem imigrantes, mas como populações que tinha em sua cultura um misto da cultura indígena e da cultura nordestina, com um forte apelo para a vida nas florestas, esse grande contingente populacional já havia fixado raízes na região e possuíam uma cultura que lhes era peculiar.



Todo esse processo fortaleceu as organizações sociais da região que começaram a se enxergar como classe, e a lutar como tal, viu-se a necessidade de ampliar-se essa luta para todos os povos que habitavam as florestas, assim surge em 1987 a Aliança dos povos da Floresta, onde reuniram-se índios, seringueiros, ribeirinhos, numa luta conjunta pelos direitos das populações que habitavam as florestas.


O passo seguinte foi reivindicar a territorialidade dessas populações, elas precisavam do reconhecimento de seu espaço e de suas técnicas de produção, um grande marco dentro desse processo se deu no ano de 1989, quando através das pressões sociais exercidas pelo movimento seringueiro, se cria a primeira reserva extrativistas do Brasil a RESEX do Juruá, pensada nos moldes das reservas indígenas, a reserva extrativista mantinha o formato original de ordenamento territorial dos seringais divido em estradas de seringa, e propiciava ao seringueiro uma oportunidade de desenvolver sua produção extrativista, alem das reservas extrativistas o INCRA incluiu dentro de seus processos de colonização a introdução de uma nova modalidade de assentamento, os PAE (projeto de assentamento extrativista) como mais uma alternativa de se assegurar dentro de assentamentos as características territoriais das comunidades tradicionais amazônicas.

Dentro das reservas extrativistas e dos PAEs predominava a produção extrativista de seringa e castanha, e a agricultura para subsistência, mas com a baixa no preço destes produtos, foi necessário buscar novas formas de se utilizar a floresta.

Assim iniciou-se um processo de desenvolvimento de técnicas para que se pudesse extrair da floresta novos produtos, mas sem causar impactos, surgindo com isso o manejo florestal.

O manejo florestal mostrou-se como uma nova alternativa para geração de renda e preservação de áreas de floresta na Amazônia com o uso sustentável dos recursos florestais, essa iniciativa teve suas ações regulamentadas no inicio dos anos noventa, mesmo as comunidades já a utilizando durante longos períodos através de técnicas tradicionais, foi somente a partir dessas iniciativas regulamentadas, capitaneadas por organizações não governamentais e de forma tímida por ações do estado, que foram se aprimorando as técnicas tradicionais e a legislação para chega-se a um denominador comum entre a técnica cientifica e o conhecimento tradicional.

Porem como um cenário recente dentro da estrutura do Estado, muitos são ainda os desafios para que se possa concretizar uma alternativa capaz de dar respostas aos anseios das comunidades.

Enfrentamos problemas relativos à territorialidade das comunidades e povos tradicionais, existe uma morosidade nos processos demarcatórios e na instalação de infra-estrutura nesses territórios, a questão do acesso mostra-se sempre como um empecilho para a produção e a locomoção dessas populações. O atendimento de saúde chega, quando chega, de forma incipiente resumindo-se muitas vezes a ação de agentes comunitários de saúde, ou campanhas pontuais de atendimento de forma fragilizada não abarcando o leque de problemas que essas comunidades enfrentam. A educação é outro problema comum a essas comunidades, acarretado em parte pela dificuldade de acesso e de instalação de estruturas mínimas para a condução de um processo de aprendizagem, e mesmo a educação quando chega é pautada nos mesmos moldes que o ensino fornecido para áreas urbanas. Um outro ponto que merece destaque refere-se ao êxodo de jovens dessas populações para outras áreas em sua maior parte em busca de educação e de emprego. No que refere-se a produção multiplicam-se os desafios, a produção florestal tem seu foco único e exclusivamente na extração de madeira, produtos não madeireiros não tem políticas especificas e nem mercado para venda, direcionando essas populações a tornarem-se reféns de madeireiros único produto com mercado garantido, a agricultura familiar feita a moldes tradicionais com corte e queima não pode mais ser realizada na região, e não são dados subsídios técnicos para que se utilize outras alternativas.

Alem desses inúmeros outros desafios se configuram para essas populações, mas colocamos com imprescindível a superação do preconceito que essas populações ainda sofrem da sociedade, por serem vistas como marginais, atrasadas, rudimentares e por ter como característica marcante o traço nordestino, negro, caboclo em sua composição étnica e cultural.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Vem com a gente ser diferente


De estudante para estudante! De jovens para jovens!

O movimento estudantil sempre esteve à frente dos grandes embates da sociedade, lutou por uma educação de qualidade, foi as ruas erguendo a bandeira da democracia, derrubou a ditadura reconduzindo o pais para a liberdade, gritou “o petróleo e nosso” contra as privatizações, tirou um presidente pintando sua cara e exigindo justiça no pais, e sempre protagonizou todos os grandes processos da sociedade brasileira, hoje amarga a inatividade, a apatia, e o conformismo frente ao cenário de problemas e dificuldade da educação, da sociedade, da nação brasileira.

O movimento estudantil frente de batalha da sociedade é hoje utilizado para crescimento pessoal de ilegítimas lideranças que aportados nele o conduzem a vergonha, ao invés de ser um mecanismo para dar voz ao estudante da voz à juventude, ele perdeu a sua finalidade, o movimento que libertava, teve suas mãos atadas, presas nas algemas da burocracia, nas cadeias da politicagem.

Nós jovens não nos prendemos, mesmo o movimento estando preso encontramos outros espaços para expressar nossas indignações, para sonharmos, para sermos o que somos “revolucionários” foi na musica, nos movimentos culturais, através das mídias, internete, MSN, orkuts e twites que lutamos e continuamos lutando pela liberdade, pela justiça, por uma sociedade com a nossa cara, mas o movimento estudantil não perdeu sua importância, ele somente parou, parou no tempo, e nós seguimos.

Assim nós jovens temos pela frente um novo desafio, como reconstruir esse movimento que tem a cara dos anos 80 e precisa da resposta a problemas do século 21? Temos de dá um novo formato a esse movimento ele tem de ser ousado não pode seguir uma dinâmica burocrática, tem de ser alternativo, dinâmico, não pode se prender ele tem de ser livre e acima de tudo dos estudantes, olhando desde a luta por uma melhora na merenda de nossas escolas ate uma disputa por políticas de âmbito nacional.

Você deve esta se perguntando, “Como Faremos isso?” A resposta é simples, juntos, não existem receitas de como fazer, existe quem deve fazer, os estudantes, temos de fazer acontecer, temos de modernizar esse movimento, nós estudante temos de ser parte disso, pois somos o movimento, somos o futuro e o presente, o estudante é quem sente no dia a dia é quem sabe o que está acontecendo de errado, somos
a base onde se constrói essa nação chamada Brasil.

As escolas, os municípios, o estado o pais, não são pequenos reinados onde os governos mandam e dizem como devem ser as coisas, não somos estudantes da escola fulano de tal, somos estudantes do Brasil, jovens do Brasil, revolucionários do planeta, sozinhos não podemos resolver nada, mas juntos nada pode nós para, somos invencíveis, temos a força em nossas mãos e ninguém pode mudar isso!

Vem com a gente e “juntos” faremos diferente!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

PENSEI O NOVO



Olhei o horizonte e vi algo diferente no brilho que encandeou os céus, de uma lua que por si só iluminava.
Esperança brilhava mais que a magia humana da passada.
Brilhava nos olhos cansados de todos.
Não brilhava para todos, brilhava para cada um, individualmente!
Um rito, uma mera formalidade.
O sono lutava contra o desejo de estar atento para a inauguração de um sonho.
Não outro mais o mesmo de todos os dias
Sensações, sentimentos, instigados pela euforia do novo.
Mais um novo, sempre o novo.
Fascinação, de memória curta e atos instantâneos.
Promessas vazias e desejos incautos.
Sempre validas sempre presente.
Um sonho, que ao adormecer de um novo dia parece difuso.
Fracionado em partes inteligíveis e outras impossíveis de serem lembradas
Inteligíveis as que melhores afagam o ego solitário.
Mudar, a mudança, a eterna metamorfose.
Não mais ambulante, simplesmente metamorfose,
Estática.
O horizonte diminuía como o raio de ação de cada desejo.
Cada vez menor.
Cada vez mais pessoal.
O brilho apagou-se como as luzes da cidade que adormeceu.
Em mais uma madrugada, igual a tantas outras.
A lua permanecia tardando em dá espaço ao rei Sol
Que punha-se a ergue anunciando, o novo ciclo.
Que ciclo?
Talvez o ciclo cósmico que guarda o segredo do dia final.
Quem sabe amanhã, ou nunca.
O fim, o inicio, o eu.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Consciência Social – política e juventude.


“Vai ser preciso muito mais pra me fazer recuar
Minha auto-estima não é fácil de abaixar
Olhos abertos fixados no céu
Perguntando a Deus qual será o meu papel.
Fechar a boca e não expor meus pensamentos
Com receio que eles possam causar constrangimentos
Será que é isso? Não cumprir compromisso
Abaixar a cabeça e se manter omisso.
A hipocrisia, a demagogia se entregue à orgia
Sem ideologia, a maioria fala de amor no singular
Se eu falo de amor é de uma forma impopular
Quem não tem amor pelo povo brasileiro
Não me representa aqui nem no estrangeiro
Uma das piores distribuições de renda
Antes de morrer, talvez você entenda”

recho de canção “Só Deus Pode me Julgar” de M.V Bill

A Sociedade brasileira como um todo e mais precisamente a juventude vem passando por um período de latência quanto a sua participação dentro dos movimentos sociais, e na política, esses fatos podem ser analisado de diversos pontos de vista, fato que me aterei a dois pontos que acredito serem mais pertinentes para explicarem essa anomalia na sociedade brasileira atual, um e a questão de haver ocorrido à ascensão de um governo popular que outrora representava todo o movimento social brasileiro, ao ascender esse governo aparelhou o movimento, e trouxe lideres desses movimentos a cargos governamentais, cooptando movimentos, calando gritos, financiando e cobrando esse financiamento nas ruas, o movimento desarticulou-se não conseguindo assimilar a posição de situação, perdeu lideranças e não renovou quadros da forma devida, o que terminou amansando as criticas ao governo, com a fé cega que as mudanças ocorreriam paulatinamente com um governo popular, iludidos que uma maquina fabricada para manter desigualdades como é o Estado, poderia ser utilizada para realizar o contrario, de uma laranjeira sai laranja, do Estado Burguês injustiça, esse fatores desacreditou as bases e dissolveu o grande movimento social brasileiro que hoje resumi-se a pequenos focos de mobilização.



Um segundo fator importante é a existência de um poder de manipulação massiva, encabeçado pela internet e pela televisão, que vem trazendo a nossa sociedade um grande prejuízo principalmente no que concerne a perda da capacidade de formulação de transformações sociais por meio da pressão dos movimentos sociais e principalmente dos movimentos de juventude leia-se a desacrença do jovem no seu potencial de fazer a mudança, de enxergar-se como agente transformador da realidade.




Fato é que nos deparamos com uma geração de jovens que reproduzem, uma cultura consumista alardeada pelas grandes mídias, e que se põem aquém da política por acreditarem não ser possível fazê-la sem ser corrompido, ou por simplesmente não crê na possibilidade de mudanças com sua intervenção, que confundem governo com política, são milhões de jovens que reproduzem tendências, que querem um celular da moda, andar em Shopping Centers e vestir roupas de grife, que vivem nos mundos virtuais e esquecem a dura realidade, ou que vivem essa dura realidade e são excluídos da sociedade, não conseguindo expor que é excluído de modo a modifica a sua e toda a realidade.


Vivemos uma sociedade de jovens que apanha muda, chora calada, e que continua a reproduzir e fortalecer seu algoz, essas características parecem se exarcebarem ao voltarmos nossos olhos para a geração de jovens que nos precedeu que no Brasil enfrentaram a ditadura, que enfrentaram a censura, exílio, que foram as ruas e mudaram a historia.


Porem uma analise mais minuciosa nos mostra que ao que tudo indica amargam uma mudança na maquiagem e a permanecia da essência, foi dado o ponta pé inicial, mas parece que não souberam fazer as substituições certas, tivemos a passagem da ditadura para governos democráticos, mas os mesmos que legislaram no período da ditadura se mantém nos altos escalões, onde não houve uma prisão ou punição por torturas massacres nem coisa alguma praticada durante o período da ditadura, temos uma geração passada onde muitas vezes preferiram permanecer com um sistema a da lugar a renovação, eu diria o bom e velho medo do novo

Mas vivemos uma situação sempre nova, e a mudança é a única certeza que sempre teremos, no momento atual o cenário global mostra uma crise que afeta diretamente os jovens brasileiros que representam cerca de 63% dos desempregados de nosso país, e onde não vemos uma mobilização clara em busca de resolver esses problemas, alem de inúmeros outros, como educação, liberdade, estes jovens que herdam um mundo fadado ao fracasso e que preferem se omitir a falar, povoaram os desertos que outrora foram vastidões de florestas, pagarão fortunas pela água que um dia foi declarado bem publico, verão milhões morrendo de fome em um país que é o maior exportador de alimentos do planeta.

Todas as gerações passadas caminharam ate aqui, hoje nos temos de dar o próximo passo os jovens no Brasil representam aproximadamente 30% da população brasileira, esses jovens na faixa etária de 16 a 34 anos representam 46% do eleitorado Brasileiro, são a população economicamente ativa, são os que decidem nas urnas, mas são também os manifestamente passivos. Acredito que encerrou o tempo da passividade, a política deve ser feita por e para quem de direito, se quisermos um pais melhor não podemos esperar ele ficar melhor sozinho temos de ir lá e resolver, se temos uma política suja é por que ela é feita por políticos sujos, quando tivermos políticos limpos a política será limpa, eles não são os donos da verdade estão ali para nos representar, assumiram um papel que se não cumprirem devem cair, a juventude tem a força basta agora usá-la.


Quem dará o próximo passo, eles ou iremos a frente e diremos o queremos.


“Confesso para ti que é difícil de entender
o país do carnaval o povo nem tem o que comer
Ser artista, Pop Star, pra mim é pouco
Não sou nada disso, sou apenas mais um louco
Clamando por justiça, igualdade racial
Preto, pobre é parecido mas não é igual
É natural o que fazem no senado
Quem engana o povo simplesmente renúncia o cargo
Não é caçado, abre mão do seu mandato
Nas próximas eleições bota a cara como canditado
Povo sem memória, caso esquecido
Não foi assim comigo, fiquei como bandido
Se quiser reclamar de mim, que reclame
Mas fale das novelas e dos filmes do Van Daime
Quem vive no Brasil, no programa do Gugu
Rebolo, vacilou, agachou e mostrou
Volta pra América e avisa pra Madonna
Que aqui não tem censura meu pais é uma zona
Não tem dono, não tem dona, nosso povo ta em coma
Erga sua cabeça que a verdade vem à tona.”

Trecho de canção “Só Deus Pode me Julgar” de M.V Bill

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Experiência um dia teremos – jovens e o mercado de trabalho.


“Acordo, não tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar.

O cara me pede o diploma, não tenho diploma, não pude estudar.

E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado, que eu saiba falar

Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá.

Consigo um emprego, começa o emprego, me mato de tanto ralar.

Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar.

Não peço arrego, mas onde que eu chego se eu fico no mesmo lugar?

Brinquedo que o filho me pede, não tenho dinheiro pra dar.

Escola, esmola!

Favela, cadeia!

Sem terra, enterra!

Sem renda, se renda!

Não! Não!!”


Trecho da canção “Ate Quando” de Gabriel Pensador.

Um dos grandes desafios da juventude atual é sua inserção no mercado de trabalho, o jovem ao buscar um emprego enfrenta primeiro um grande paradoxo que é a exigência de experiência, exige-se experiência de um individuo jovem que ainda esta na busca de seu primeiro emprego, a segunda barreira é a qualificação profissional, como esse jovem pode ter essa qualificação necessária se não é oportunizado para ele essa tal qualificação.


O fator qualificação mostra-se aqui como o grande desafio da juventude na questão trabalho. O Brasil preconizou um modelo de educação onde o jovem ingressa no ensino formal, quando este tem a sorte de fazê-lo, segue do ensino fundamental ao médio estudando diversas disciplinas, ao concluir o ensino médio existem poucas alternativas para esse jovem, ou ele consegue suprir as deficiências educacionais sistêmicas e passa em um vestibular conseguindo o inimaginável cursa um nível superior, ou ele vai assumir o papel e sumir no papel da estatística aumentando a fila do desemprego, utilizando pouco ou nada do que ele aprendeu durante toda a sua vida de estudante, em um mercado com vagas, os jovens não são qualificados para preenchê-las.


Outro fator que deve ser observado, e principalmente num momento como esse que o mundo enfrenta uma das maiores crises econômicas e recessões já vista na historia, é quem são os primeiros a ser demitido dentro de uma busca de enxugar os quadros, esse prêmio é concedido aos jovens que por possuir pouca ou nem uma experiência e vê seu emprego ameaçado dia após dia, na UE o numero de jovens desempregados supera hoje a casa dos 5 milhões, isso em uma economia dita desenvolvida e onde as leis trabalhistas são extremamente mais rígidas, no Brasil dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho) de 2006 mostram que 67% dos jovens brasileiros estavam desempregados, isso em um período onde a crise ainda não figurava como grande destruidora de empregos e economias globais, se formos pra um recorte mais preciso esse numero sobe se o espaço de amostragem for entre as mulheres, e mais ainda se for entre negros.

Isso nos mostra que quando a questão é empregos ainda temos muito a debater e avançar na busca de um país melhor e que tenha um olhar mais jovem, hoje o Brasil é o terceiro no mundo no numero de jovens empreendedores, mostrando que o país tem tudo pra ser referencial na aplicação de políticas jovens que os jovens desse país estão ai pra fazer a diferença, há um numero crescente de jovens participando de empreendimentos da economia solidaria, cada vez mais os jovens permanecem nos campos e florestas, mostrando que a juventude quer manter suas raízes, lutam por uma economia mais justa, acreditam em outro mundo
, porém frente ao numero de jovens desempregados que incham os bairros, e terminam a margem da sociedade, por não ter uma sociedade que os inclua, esses números são irrisórios, o desafio está lançado.

"Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente.

E quando a mente muda a gente anda pra frente.

E quando a gente manda ninguém manda na gente.

Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura.

Na mudança de postura a gente fica mais seguro, na mudança do presente a gente molda o futuro!"

Trecho da canção “Ate Quando” de Gabriel Pensador.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Seiva Bruta, Essência.


Meu conhecimento verte por golpes que desferiram em meu ser,
Fui riscado como uma jovem seringueira,
Na busca de extraírem de meu interior
Algo que valha centavos no mercado.

Sou uma mercadoria,
Meu conhecimento enche a tigela que se prontificam em recolher,
Minha essência, á um vulcão, uma casa de defumação.
Industrializar o conhecimento, minhas lagrimas lamentos.

Perdi meu por que,
Era uma arvore frondosa que em meio a minha floresta crescia a bel prazer,
Recanto de muitas aves, esconderijo de besouros,
Em meu corpo foi encontrado o ouro, não vivo mais por viver.


Sugam a minha essência,
Entre tantos a decadência, agora tem o que fazer,
Tens uma função, é apenas uma matriz, que se salva por um triz,
De um risco mais profundo, ser jogado no mundo.

De senhor das florestas, meu sangue é apenas o que resta,
O que serve pra vender.
De livre solto, rebelde.
Pegaram o que te rege, amansaram teu saber.

Sou apenas mais um, parte da produção.
Eis que o machado está posto a raiz.
Preferes produzir ou que lhe arranquem fora.
Tua escolha faz agora, morrer livre, ou viver.

Queria apenas ser eu.
E crescer, crescer na liberdade.
No saber sem compromisso.
Que meu elixir corresse solto, por todo o meu corpo.

Defumaram o conhecer.
Deste fizeram matéria prima, conformaste a um molde.
E venderam no mercado, agora tens valor.
Lhe tiram o que querem, moldam a situação.

Agora não mais frondosa arvore, me conhecem
Das comerciais, sou uma espécie.
E quem recolhe esse leite não ficam com o lucro, pois o conhecimento é bruto.
Aos grandes servirei, mas nunca me prostarei, é viver para morrer.